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Unidos da Tijuca anuncia enredo de 2027: A Cabeça do Santo – Literatura, fé e cultura nordestina na Sapucaí


A Unidos da Tijuca divulgou oficialmente seu enredo para o Carnaval de 2027: “A Cabeça do Santo”. Mantendo a parceria de sucesso com a literatura brasileira — que no ano anterior rendeu um desfile consagrado sobre Carolina Maria de Jesus —, a escola traz agora para a avenida a obra da escritora cearense Socorro Acioli, publicada em 2014 e baseada em fatos reais.
 
A história se passa na cidade de Caridade, no sertão do Ceará, onde uma estátua de Santo Antônio ficou inacabada, sem sua cabeça, que acabou abandonada pelas ruas do município. O inusitado episódio deu origem a lendas, crenças, rezas e uma cultura popular riquíssima, transformando o fato em um marco cultural e turístico da região. O enredo, assinado pelo carnavalesco Lucas Milato com desenvolvimento de Thayssa Menezes e Leandro Thomaz, percorre esse universo mágico, misturando fé católica, misticismo, as tradições das festas juninas e as vozes das mulheres que fazem da devoção motivo de celebração e esperança.
 
A narrativa também acompanha a jornada do personagem Samuel, unindo elementos do imaginário popular, simpatias e pedidos de casamento — marca registrada da devoção a Santo Antônio — em uma trama descrita pelos criadores como onírica, lúdica e cheia de fantasia. Para a agremiação, levar essa história à Sapucaí é mais uma forma de valorizar autores e obras que contam a identidade do Brasil, aproximando o público das diferentes culturas que formam o nosso país.
 
A autora Socorro Acioli demonstrou grande emoção com a iniciativa: “Ver o carnaval e a literatura juntos para o povo, para o Brasil e o mundo inteiro é a minha maior alegria”, declarou. A escola já prepara parcerias com a prefeitura de Caridade e com a autora para garantir uma representação fiel e rica desse universo, prometendo um desfile que reacende o brilho de suas grandes apresentações e reforça o orgulho da comunidade tijucana.

Beija-Flor anuncia enredo de 2027: Zeneida, o sopro do pó de louro – Homenagem à última pajé do Marajó

 
A Beija-Flor de Nilópolis divulgou oficialmente seu enredo para o Carnaval de 2027: “Zeneida: O Sopro do Pó de Louro”. Após o vice-campeonato em 2026, a escola azul e branca levará à Marquês de Sapucaí uma história de força, sabedoria e preservação, dedicada a uma das maiores referências da cultura paraense: Zeneida Lima, reconhecida como a última pajé marajoara.
 
A narrativa percorre a trajetória dessa liderança fundamental do arquipélago do Marajó, no Pará, que carrega consigo conhecimentos ancestrais passados por gerações. Mais do que guardiã de rituais, curas e tradições, Zeneida também se destaca nacionalmente como uma importante ativista ambiental, que luta diariamente para proteger a floresta, os rios e o modo de vida do povo da região.
 
O título faz referência ao elemento simbólico de sua prática: o pó de louro, usado em rituais que conectam o mundo material e o espiritual, levados ao vento como um sopro que leva mensagens, cura e proteção. O enredo da Beija-Flor promete mostrar ao Brasil todo a riqueza dessa cultura, a relação profunda do ser humano com a natureza e a importância de manter vivos saberes que formam a identidade da Amazônia.
 
Com esse desfile, a agremiação mais uma vez cumpre seu papel de levar à avenida personagens e histórias que representam a diversidade brasileira, dando visibilidade a quem dedica a vida a cuidar da terra e de sua gente.

Vila Isabel anuncia enredo de 2027: Torto Arado leva à Sapucaí a luta quilombola e a religião do Jarê

 
A Unidos de Vila Isabel divulgou oficialmente seu enredo para o Carnaval de 2027: “Torto arado – sobre a terra há de viver sempre o mais forte”. A escola branca e azul trará para a avenida uma adaptação do premiado romance homônimo de Itamar Vieira Junior, um dos maiores sucessos da literatura brasileira recente, que já vendeu mais de 1 milhão de exemplares e ganhou prêmios como o LeYa, o Jabuti e o Oceanos.
 
A narrativa, assinada pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora, com pesquisa de Vinícius Natal, transportará para a Marquês de Sapucaí o universo da Chapada Diamantina, no sertão da Bahia. O enredo explora a luta das comunidades quilombolas pela posse da terra, a força das personagens femininas como alicerce dessas famílias e a permanência das marcas da escravidão nas relações de trabalho e sociedade.
 
Um dos pontos mais aguardados e inéditos do desfile é a apresentação do Jarê, religião de matriz africana típica daquela região, que nunca antes foi retratada em um desfile de escola de samba. Por meio dessa visão encantada e espiritual, a história mostra como o povo se conecta com os ancestrais, com a natureza e com a memória, transformando sofrimento em resistência e sobrevivência ao longo das gerações.
 
Para a Vila Isabel, o enredo é mais do que uma adaptação literária: é uma forma de dar voz e visibilidade a histórias de resistência que formam o Brasil profundo, destacando que a luta pela terra e por reconhecimento continua viva até hoje.

Mangueira anuncia enredo de 2027: “É Oyá por nós!” – Uma homenagem à força, transformação e ancestralidade


A Estação Primeira de Mangueira divulgou oficialmente seu enredo para o Carnaval de 2027: “É Oyá por nós!”. A agremiação, conhecida por sua forte ligação com as raízes e a cultura afro-brasileira, prepara um desfile que celebra a grandiosidade de Oyá – ou Iansã, como também é chamada –, a orixá dos ventos, das tempestades, das transformações e dos ciclos da vida, figura central nas religiões de matriz africana e na formação da identidade do povo brasileiro.
 
Com criação e pesquisa de Sidnei França, Sthefanye Paz e Felipe Tinoco, a narrativa percorre desde a origem da divindade no continente africano, associada ao Rio Níger – também chamado de Odo Oyá – até a sua presença e influência no Brasil. O enredo explora os muitos símbolos e faces dessa entidade poderosa: ela é ao mesmo tempo a guerreira imponente que carrega consigo a força dos búfalos e a leveza de uma borboleta; aquela que corta e abre caminhos, que limpa o caminho com vendavais e que governa a passagem entre o mundo dos vivos e dos ancestrais.
 
A história também destaca suas relações sagradas, como o amor e a parceria com Xangô, rei de Oyó, e sua atuação como senhora dos nove céus, guardiã dos destinos e dos segredos da existência. São abordados ainda os rituais, os alimentos sagrados, os instrumentos e as danças que a ela são dedicados dentro dos terreiros, mostrando como sua energia se manifesta em cada detalhe da cultura religiosa.
 
Mais do que uma homenagem mitológica, o enredo traça um paralelo potente: Oyá representa a capacidade de se reinventar, de resistir e de transformar a realidade – características que marcam também a trajetória do povo negro e, especialmente, a força feminina que sustenta, organiza e perpetua essas tradições. Para a Mangueira, ser herdeira desse legado é assumir o papel de levar essa mensagem à avenida, transformando a Marquês de Sapucaí em um imenso e sagrado espaço de devoção.
 
A escola reforça em sua sinopse uma frase que já se tornou marca da sua identidade e que ganha novo sentido agora: “Quando Oyá passa, nada fica no lugar. Depois que a Mangueira desfila, nada permanece igual”. O desfile de 2027 promete ser, portanto, uma grande celebração da vida, da mudança e da potência ancestral, reafirmando o compromisso da Verde e Rosa em contar histórias que fortalecem a memória, a fé e a cultura do nosso país.

Paraíso do Tuiuti anuncia enredo de 2027: Tia Ciata, a Mãe Preta do Samba, é homenageada na Sapucaí


A escola de samba Paraíso do Tuiuti divulgou oficialmente seu enredo para o Carnaval de 2027: “Ciata: A Mãe Preta do Samba”. Com assinatura do carnavalesco Renato Lage, a agremiação promete levar à Marquês de Sapucaí um desfile que resgata, valoriza e reinterpreta a trajetória de uma das figuras mais importantes da cultura brasileira, quase apagada dos livros de história oficial.
 
O eixo central da narrativa é Hilária Batista de Almeida, conhecida como Tia Ciata, mulher negra, matriarca, líder religiosa e uma das principais responsáveis pela estruturação do samba no Rio de Janeiro. O título traz um significado especial: se na época da escravidão a expressão “mãe preta” era ligada à exploração e ao trabalho compulsório, a Tuiuti propõe uma nova leitura. Aqui, o termo ganha sentido de soberania, liberdade, sabedoria e resistência, reconhecendo-a como protagonista que comandou seu próprio destino e foi alicerce para toda uma cultura.
 
A sinopse apresentada pela escola percorre o dia a dia de Tia Ciata, desde sua casa, no número 117 da Rua Visconde de Itaúna, na Praça Onze — endereço que se tornou ponto de encontro de sambistas, religiosos, artistas e intelectuais — até suas atividades como vendedora de doces nas ruas do Centro do Rio. A narrativa também contextualiza a vida da personagem em um período de grandes reformas urbanas, quando o poder público tentava transformar a cidade em uma “Paris Tropical”, apagando as tradições e a presença da população negra e pobre do cenário carioca.
 
O enredo destaca ainda sua participação fundamental na criação de Pelo Telefone, considerado o primeiro samba gravado no Brasil, sua liderança no candomblé como yaquequerê do terreiro de João Alabá e sua forte ligação com o carnaval — ela herdou o Rancho Rosa Branca e foi berço do bloco O Macaco é Outro. A história mostra como, diante da repressão e da tentativa de invisibilização, o povo se uniu, ocupou espaços e construiu formas coletivas de viver e resistir, fazendo da cultura negra a espinha dorsal da identidade carioca.
 
No desfile, a proposta é transformar a avenida em um grande terreiro, onde cada passo de samba será uma homenagem à ancestralidade e à liderança feminina de Tia Ciata. Para a agremiação, essa é mais uma missão cumprida: trazer à luz personagens e fatos que formaram o Brasil, mas que por muito tempo ficaram à margem da história oficial, eternizando-os no maior espetáculo da Terra.
 
A pesquisa e o texto que dão base ao enredo são de Claudio Russo e Luiz Antonio Simas, com consultoria da equipe da Casa da Tia Ciata, garantindo precisão histórica e respeito à memória dessa grande figura. Com isso, a Paraíso do Tuiuti prepara-se para mais uma apresentação que alia beleza, arte e consciência, reafirmando seu papel de escola que questiona, ensina e emociona.

Carnaval 2027: Confira a ordem oficial dos desfiles do Grupo Especial e da Série Ouro na Sapucaí

O Carnaval carioca já conhece a ordem dos desfiles para 2027. A definição das apresentações do Grupo Especial e da Série Ouro começa a desenhar os caminhos da disputa na Marquês de Sapucaí.

No Grupo Especial, os desfiles acontecerão entre os dias 7 e 9 de fevereiro, marcando a 95ª edição do Rio Carnaval. A abertura do domingo ficará por conta da União de Maricá, seguida por Beija-Flor, Paraíso do Tuiuti e Vila Isabel.

Na segunda-feira, a Unidos da Tijuca abre os trabalhos da noite, seguida por Mocidade Independente de Padre Miguel, Salgueiro e Imperatriz Leopoldinense.

Já a terça-feira promete fortes emoções com Portela abrindo a noite, seguida por Viradouro, Acadêmicos do Grande Rio e encerramento da Estação Primeira de Mangueira.


A Série Ouro também teve sua ordem oficializada para os desfiles dos dias 5 e 6 de fevereiro. A sexta-feira será aberta pela São Clemente, uma das novidades do grupo para 2027, seguida por Unidos do Jacarezinho, Unidos do Porto da Pedra, Vigário Geral, Acadêmicos de Niterói, União da Ilha, Unidos da Ponte e Unidos de Bangu.

No sábado, a abertura ficará com a Santa Cruz. Depois desfilam Inocentes de Belford Roxo, Estácio de Sá, Unidos de Padre Miguel, Arranco, Império Serrano, Em Cima da Hora, Botafogo Samba Clube e Unidos do Parque Acari.

A composição da Série Ouro deste ano ganhou destaque após a ampliação do grupo e o retorno de escolas tradicionais como São Clemente e Inocentes de Belford Roxo, além da permanência da Unidos do Jacarezinho.


Com a ordem definida, as escolas agora aceleram os preparativos rumo ao Carnaval 2027, que promete unir tradição, rivalidade e grandes expectativas na Sapucaí.

Carnaval 2027: Ligas anunciam expansão dos grupos e novas escolas nas Séries Ouro, Prata e Bronze

A reorganização dos grupos de acesso do Carnaval carioca para 2027 ganhou forma. Em decisões tomadas após reunião com o prefeito do Rio, Eduardo Cavalieri, as entidades responsáveis pelos desfiles da Série Ouro e da Intendente Magalhães anunciaram mudanças importantes na composição de seus grupos, ampliando o número de escolas convidadas e reforçando o discurso de valorização das agremiações.

A LIGA RJ, representante das escolas da Série Ouro, em nota oficial, informou que, seguindo orientação expressa do prefeito, cada grupo deveria convidar mais três agremiações para recompor o campeonato. A medida, segundo a Liga, foi aprovada em plenária pelas escolas e busca fortalecer o Carnaval e garantir maior equilíbrio na competição.

Entre as decisões aprovadas está a permanência da Unidos do Jacarezinho na Série Ouro. A escola enfrentou um ano dramático após sofrer dois incêndios durante o ciclo do Carnaval 2026, um no barracão e outro na quadra, comprometendo diretamente sua preparação. As agremiações entenderam, de forma unânime, que a manutenção da escola no grupo representava um gesto de solidariedade e respeito à comunidade.

Além disso, a plenária aprovou os convites para a entrada da Inocentes de Belford Roxo e da São Clemente na Série Ouro. Segundo a entidade, a decisão leva em consideração a relevância histórica das duas escolas no cenário carnavalesco carioca.

Na Intendente Magalhães, a Superliga Carnavalesca do Brasil também confirmou mudanças importantes. A entidade anunciou o acesso de três escolas para cada grupo, seguindo a mesma orientação debatida com o prefeito.

Com isso, Rosa de Ouro, Unidos de Cosmos e Boi da Ilha do Governador foram convidadas para integrar a Série Prata. Já Acadêmicos de Madureira, Arame de Ricardo e Coroado de Jacarepaguá passam a compor a Série Bronze.

Em nota, a Superliga destacou que todas as decisões foram tomadas “em total consonância com as orientações do Poder Executivo Municipal”, reforçando o compromisso da entidade com a organização dos desfiles e o fortalecimento do Carnaval popular.

As decisões anunciadas pelas duas ligas indicam um novo cenário para os grupos de acesso do Carnaval carioca, ampliando a participação de escolas tradicionais e fortalecendo o discurso de união entre as agremiações em um momento de reorganização política e estrutural da festa.

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