Destaques
Inocentes de Belford Roxo anuncia enredo 2027: Carybé – A genialidade que pintou a alma do Brasil
Mocidade Unida da Cidade de Deus anuncia enredo 2027: Akorò Akodê Ògún – Olhai por Nós – A força que abre caminhos e garante a vitória
Casa de Malandro anuncia enredo 2027: Tiraram-me a Coroa mas a Eternidade me fez Rainha! Sou Maria Mulambo – A soberania que nasceu da dor e do renascimento
União Cruzmaltina anuncia enredo 2027: Dulce Rosalina: a mulher que vestiu a coragem e presidiu a paixão – Pioneirismo e força feminina nas arquibancadas e na avenida
Novo Império anuncia enredo 2027: Ya Omo Eja – Mãe cujos filhos são peixes – A grandiosidade de Iemanjá, a origem da vida
Alegria de Copacabana anuncia enredo 2027: Falangeiros de Ogum – O Exército da Paz – Fé, força e justiça na avenida
Boi da Ilha do Governador anuncia enredo 2027: Elymar Santos – A voz que nasceu do povo e jamais se calou
O Boi da Ilha do Governador divulgou oficialmente seu enredo para o Carnaval de 2027, uma homenagem emocionante e muito especial a um dos maiores ícones da música popular brasileira: Elymar Santos. A agremiação leva à Intendente Magalhães a trajetória de vida, arte, fé e resistência do cantor, um homem que saiu das vielas do Morro do Alemão para conquistar o Brasil inteiro, sem nunca abandonar as raízes, a simplicidade e a verdade que marcaram a sua existência.
A narrativa começa pela infância difícil, mas cheia de sonhos: menino simples, que ajudava a família trabalhando na tradicional Feira de Olaria, entre caixas e barracas, enquanto ouvia pelo rádio as vozes que o encantavam — especialmente Cauby Peixoto, que mais tarde se tornaria seu padrinho artístico. Com objetos improvisados como microfones, Elymar já ensaiava ali o dom que carregava na alma. A caminhada não foi fácil: como milhões de brasileiros, ele cantou em pequenos palcos, bares e casas noturnas, especialmente na Ilha do Governador, onde construiu uma relação de amor e reconhecimento com o público. Passou por programas de calouros, enfrentou recusas e dificuldades, até o dia histórico em que alugou o Canecão sem ser famoso, numa atitude de coragem que mudou tudo: a casa lotou, o país ouviu e um fenômeno nasceu.
O enredo percorre toda a sua carreira de sucesso: os discos de ouro, os espetáculos lendários como o projeto “Seis e Meia” no Teatro João Caetano — onde o público lotou até a praça do lado de fora —, as participações em musicais como Evita e em novelas de sucesso, além de canções eternas como “Escancarando de Vez” e “Guerreiros Não Morrem Jamais”. Mas vai além da arte: mostra a sua espiritualidade, que une a devoção católica a Nossa Senhora Aparecida, a força da cultura cigana com Santa Sara Kali e as raízes de matriz africana como filho de Oxóssi e Iansã.
Também destaca a ligação profunda de Elymar com o universo do samba: parceiro vencedor na Imperatriz Leopoldinense, homenageado por outras escolas e, agora, imortalizado pelo Boi da Ilha, a comunidade que sempre o viu como um dos seus. “Quem nasce do povo, canta com verdade. E quem canta com verdade... jamais se cala”, resume a escola.
Mais do que uma biografia, o desfile é uma celebração da essência de um artista que transformou vivência em canto, dificuldade em força e sonho em realidade. Em 2027, a Ilha canta, o Boi exalta e a avenida recebe de volta, com todo o carinho, o menino do morro que se tornou a voz eterna do povo brasileiro.

