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Salgueiro anuncia enredo 2027: Laroyê Xica da Silva – A mulher, o mito e a verdade que desafia a história

A Acadêmicos do Salgueiro divulgou oficialmente seu enredo para o Carnaval de 2027: uma homenagem potente e reveladora a Xica da Silva, com criação dos carnavalescos Jorge Silveira e Leonardo Antan, baseada na obra Laroyê Xica da Silva. A escola leva à Sapucaí muito mais do que a figura lendária que já conhecemos: propõe um mergulho profundo na trajetória real, na simbologia espiritual e nas camadas de uma personalidade que, há séculos, desafia padrões, reescreve a história e resiste a qualquer definição única.
 
Tudo começou no próprio Salgueiro, em 1963, quando o enredo sobre a vida de Francisca da Silva deu a conhecer essa personagem ao Brasil e ao mundo. De lá para cá, sua imagem se multiplicou: ganhou corpo e voz nas interpretações de Isabel Valença, Zezé Motta e Taís Araújo; tornou-se ícone de força e transgressão; e, na cultura popular e nas religiões de matriz africana, se consagrou como uma poderosa pomba-gira, senhora das encruzilhadas — aquele espaço entre o visível e o invisível, entre o estigma social e a mística, entre a ficção que criamos e a realidade que poucos conhecem.
 
O ponto central da narrativa de 2027 é justamente essa busca pelo que estava oculto. Em 2025, a publicação do testamento original da chamada “Rainha do Tijuco” trouxe à luz dados inéditos, detalhes da sua fortuna, das suas relações e da sua atuação, provando que a história real de Francisca vai muito além do mito construído no carnaval, no cinema e na televisão. “Francisca, Chica ou Xica: ela é múltipla, plural, potente e provocadora. Nunca uma só, nem dona de uma verdade absoluta”, explica a escola.
 
O enredo também exalta a energia exusíaca que ela representa: a capacidade de abrir caminhos, de inverter lógicas, de desafiar hierarquias impostas e de ocupar espaços que diziam não ser seus. A frase que define o tom do desfile — “Arreda, homem, que aí vem mulher!” — é um grito de autonomia, poder e ancestralidade, reforçando que Xica não foi apenas uma personagem da história, mas uma força que continua viva, se manifestando em cada mulher que ousa ser livre.
 
Para o Salgueiro, que se define como a “Academia do Samba”, esse tema é um ato de justiça cultural e de pesquisa: retomar uma história que nasceu na avenida, mas agora contada com todas as verdades, memórias e simbolismos que a história oficial tentou esconder. Em 2027, a vermelho e branco vai fazer a encruzilhada da Sapucaí ecoar: “Deu meia-noite, a lua se escondeu… Lá na encruzilhada, dando a sua gargalhada…”.seu enredo para o Carnaval de 2027: uma homenagem potente e reveladora a Xica da Silva, com criação dos carnavalescos Jorge Silveira e Leonardo Antan, baseada na obra Laroyê Xica da Silva. A escola leva à Sapucaí muito mais do que a figura lendária que já conhecemos: propõe um mergulho profundo na trajetória real, na simbologia espiritual e nas camadas de uma personalidade que, há séculos, desafia padrões, reescreve a história e resiste a qualquer definição única.
 
Tudo começou no próprio Salgueiro, em 1963, quando o enredo sobre a vida de Francisca da Silva deu a conhecer essa personagem ao Brasil e ao mundo. De lá para cá, sua imagem se multiplicou: ganhou corpo e voz nas interpretações de Isabel Valença, Zezé Motta e Taís Araújo; tornou-se ícone de força e transgressão; e, na cultura popular e nas religiões de matriz africana, se consagrou como uma poderosa pomba-gira, senhora das encruzilhadas — aquele espaço entre o visível e o invisível, entre o estigma social e a mística, entre a ficção que criamos e a realidade que poucos conhecem.
 
O ponto central da narrativa de 2027 é justamente essa busca pelo que estava oculto. Em 2025, a publicação do testamento original da chamada “Rainha do Tijuco” trouxe à luz dados inéditos, detalhes da sua fortuna, das suas relações e da sua atuação, provando que a história real de Francisca vai muito além do mito construído no carnaval, no cinema e na televisão. “Francisca, Chica ou Xica: ela é múltipla, plural, potente e provocadora. Nunca uma só, nem dona de uma verdade absoluta”, explica a escola.
 
O enredo também exalta a energia exusíaca que ela representa: a capacidade de abrir caminhos, de inverter lógicas, de desafiar hierarquias impostas e de ocupar espaços que diziam não ser seus. A frase que define o tom do desfile — “Arreda, homem, que aí vem mulher!” — é um grito de autonomia, poder e ancestralidade, reforçando que Xica não foi apenas uma personagem da história, mas uma força que continua viva, se manifestando em cada mulher que ousa ser livre.
 
Para o Salgueiro, que se define como a “Academia do Samba”, esse tema é um ato de justiça cultural e de pesquisa: retomar uma história que nasceu na avenida, mas agora contada com todas as verdades, memórias e simbolismos que a história oficial tentou esconder. Em 2027, a vermelho e branco vai fazer a encruzilhada da Sapucaí ecoar: “Deu meia-noite, a lua se escondeu… Lá na encruzilhada, dando a sua gargalhada…”.

Feitiço Carioca anuncia enredo 2027: A Mãe do Bispo e até Floriano sentem orgulho, sim, da Broadway Tupiniquim! A Centenária Cinelândia

O GRES Feitiço Carioca revelou oficialmente seu tema para o Carnaval de 2027: uma homenagem emocionante à Cinelândia, um dos espaços mais simbólicos e queridos do Rio de Janeiro, que completará seu centenário no próximo ano. O enredo, assinado pelo carnavalesco Jean Rodrigues, leva à avenida a história, a alma e toda a diversidade de uma praça que é, ao mesmo tempo, palco, arquibancada e personagem da vida carioca.
 
A narrativa começa pela essência do lugar: um espaço onde o tempo corre de forma especial, entre árvores, pombos e o calçado português, vigiado pela estátua de Floriano Peixoto — que, da sua posição central, “assistiu de camarote” a tudo o que aconteceu por ali: revoluções, estreias de cinema mudo, peças teatrais, beijos escondidos, manifestações políticas, o surgimento de grandes artistas e a passagem de inúmeros personagens do dia a dia. Na Cinelândia, quem passa também participa, pois a praça sempre funcionou como um grande teatro a céu aberto.
 
O destaque vai para a sua época de ouro, quando se tornou conhecida como a “Broadway Tupiniquim”: um centro vibrante de cultura e entretenimento, onde brilhavam o Theatro Municipal, a Biblioteca Nacional, o Palácio Pedro Ernesto, o histórico Cine Odeon e o tradicional Amarelinho. Era o tempo em que os letreiros e as luzes transformavam o local num verdadeiro ponto de encontro, glamour e criação artística, refletindo a identidade de uma cidade que mistura o grandioso e o popular.
 
Para o Feitiço Carioca, desfilar esse enredo é celebrar um pedaço fundamental da memória do Rio, um espaço que guarda histórias de todos os cariocas e que recebe visitantes do mundo inteiro para conhecer a nossa cultura. “É um lugar onde todos nós já fomos — ou somos — protagonistas ou figurantes da história”, destaca a escola.
 
Com um título criativo e cheio de carioquisse, a agremiação promete um espetáculo que vai reviver o brilho, a diversidade e a importância desse patrimônio histórico. A escola adianta que, em breve, divulgará a logomarca oficial e a sinopse completa, prometendo muita emoção e reconhecimento para um dos endereços mais ilustres da cidade.

Fla Manguaça anuncia enredo 2027: Uma viagem encantada pelas festas e tradições do Nordeste

A Fla Manguaça revelou seu tema para o Carnaval de 2027: um grande desfile que vai transformar a Intendente Magalhães numa verdadeira viagem pelas raízes, cores e ritmos que fazem pulsar o Nordeste brasileiro. Guiado pelo símbolo irreverente da escola, o Manguaceiro, o enredo percorre paisagens culturais, memórias e celebrações que são a cara da identidade nordestina, unindo fé, alegria, história e resistência.
 
A jornada começa no sertão, onde ganham vida figuras lendárias como Lampião e Maria Bonita, e onde ecoam os cantos que nascem na terra seca. Passa pela magia das festas juninas, com bandeirinhas, fogueiras, quadrilhas e todo o brilho dos arraiais, além de manifestações únicas como o Bumba Meu Boi, a arte do Cordel e a irreverente Festa do Bode Rei. A espiritualidade também marca presença forte: o desfile exalta a devoção da Congada, da Folia de Reis, a emoção da Lavagem do Bonfim e as homenagens a Nossa Senhora dos Navegantes, ligando o povo aos seus santos e às águas.
 
O caminho segue vibrante rumo ao carnaval da região: tem o frevo que rasga as ladeiras de Olinda, o arrastão gigante do Galo da Madrugada no Recife, a energia dos blocos de Salvador e a força ancestral do Maracatu pernambucano. Fecha a narrativa a volta ao sertão, na Festa de São José, onde o florescer do mandacaru simboliza a esperança, a renovação e a vida que sempre retorna, mesmo nas condições mais áridas.
 
Para a Fla Manguaça, esse desfile é mais do que um passeio por tradições: é montar um grande mosaico cultural, onde cada festa, cada dança e cada crença mostra como o povo nordestino transforma celebração em identidade e faz da alegria e da fé suas maiores forças. “Simbora Manguaceiro! Vista-se de cangaceiro porque hoje é dia de festejar”, convida a escola, pronta para levar toda essa riqueza à avenida.

Unidos de Lucas anuncia enredo 2027: Bem no Compasso, O Galo Entoa A Mais Bela Melodia do Estácio – Homenagem a Luiz Melodia e ao centenário da Estácio de Sá

A Unidos de Lucas, carinhosamente chamada de Galo de Ouro da Leopoldina, revelou seu enredo para o Carnaval de 2027: “Bem no Compasso, O Galo Entoa A Mais Bela Melodia do Estácio”, com criação do carnavalesco Lucas Lopes e texto de Paulo Neto. Em um ano histórico, quando a Estácio de Sá celebra o seu centenário, a escola prepara um desfile especial: uma homenagem à agremiação, primeira escola de samba do Brasil, e a um dos maiores ícones musicais que nasceram e cresceram nesse universo: o cantor e compositor Luiz Melodia.
 
Conhecido como o “Gato do São Carlos” e dono de uma voz inconfundível, chamada de “pérola negra”, Luiz Melodia é um dos nomes mais importantes da música popular brasileira. Sua arte foi forjada no ambiente do Estácio — território que é o berço do samba e onde a Estácio de Sá nasceu e se tornou referência. Cresceu cercado por ritmos de resistência, cultura negra e a tradição que a escola ajudou a construir, carregando essa essência em cada canção que encanta o Brasil até hoje. O enredo mostra exatamente essa ligação: como a história da escola, a cultura do bairro e a trajetória do artista se misturam e se completam.
 
Para a Unidos de Lucas, esse tema também marca uma caminhada ambiciosa: o objetivo é conquistar o título e garantir o acesso à Série Ouro, na Marquês de Sapucaí. “Na melodia do velho Estácio, surge nosso Luiz… forjado pelo samba e ritmos de resistência, ele desce esse universo e encontra nosso Galo para encantar a avenida”, explica Lucas Lopes.
 
Mais do que contar uma história, o desfile celebra a relação profunda entre a arte de um gênio da música e o legado da Estácio de Sá, que em 2027 completa 100 anos de existência, memória e tradição. É uma forma de cantar, com orgulho, tudo o que fez e faz o samba vibrar.

Império da Uva anuncia enredo 2027: Cuida do mar pra mim! Um mergulho em busca do amanhã – Natureza e sonho de pisar na Sapucaí

O Império da Uva revelou oficialmente seu tema para o Carnaval de 2027: “Cuida do mar pra mim! Um mergulho em busca do amanhã”. Mais do que um enredo, a escola define o projeto como um verdadeiro propósito, uma mensagem que vem das águas e ganha voz na comunidade, unindo conscientização ambiental e o maior sonho da agremiação: desfilar pela primeira vez na Marquês de Sapucaí.
 
A narrativa tem como eixo central a relação do ser humano com o oceano, sua imensa riqueza, sua força e a necessidade urgente de preservá-lo. O título funciona como um pedido e um compromisso: cuidar do mar é cuidar do futuro, é garantir que o amanhã seja vivo, belo e cheio de vida para as próximas gerações. É um mergulho simbólico — nas águas, na consciência e na esperança — que convida a todos a refletir sobre o legado que deixamos para o planeta.
 
Para o Império da Uva, esse caminho é trilhado com a força do seu povo. A escola reforça que acredita na mensagem que leva e na união da sua comunidade, e é justamente com essa garra que segue firme em direção ao seu objetivo maior: chegar à avenida principal do carnaval carioca e mostrar ao mundo, com cores, alegorias e samba, que o amanhã começa com o cuidado que temos hoje com a natureza.
 
“Hoje, o silêncio das profundezas ganha voz”, destaca a agremiação. O desfile será, portanto, uma grande celebração da vida marinha, da responsabilidade coletiva e da conquista histórica de um sonho que se torna realidade.

Vila Santa Tereza anuncia enredo 2027: João de Camargo – O Preto Velho de Luz de Sorocaba – Fé, resistência e memória na avenida

A Unidos da Vila Santa Tereza divulgou oficialmente seu tema para o Carnaval de 2027: “João de Camargo – O Preto Velho de Luz de Sorocaba”, criação e roteiro assinados pelo carnavalesco Caio Araújo. A escola leva à Sapucaí a história emocionante de um homem simples, de origem negra e humilde, cuja trajetória marcada pela dor, pela superação e pela fé o transformou em um dos maiores símbolos de espiritualidade e devoção popular do interior de São Paulo.
 
João de Camargo carregou em sua pele as marcas da escravidão e enfrentou perseguições e o silenciamento imposto aos excluídos. Mas, da dor, fez nascer a cura; da limitação, ergueu um caminho de luz. Em Sorocaba, construiu uma história de acolhimento, benzimentos e esperança, tornando-se líder espiritual que unia diferentes crenças, unindo o catolicismo e as matrizes africanas, e recebendo a todos que buscavam alívio para o corpo e para a alma. Sua capela se tornou território sagrado, espaço onde o povo reconheceu o valor de quem a história oficial tentou apagar.
 
O enredo é uma celebração da ancestralidade negra, do sincretismo religioso e da força da memória popular. Mostra como personagens como João de Camargo representam a resistência de um povo que fez da própria existência um ato de amor ao próximo e de preservação da sua identidade. Mais do que contar uma biografia, a Vila Santa Tereza presta um tributo a todos os líderes espirituais que guiaram gerações e formaram a alma religiosa do Brasil.
 
Para a agremiação, desfilar essa história é acender velas na avenida para iluminar o que é essencial: a cultura negra como alicerce da nossa identidade nacional, e a certeza de que homens como João não morrem — tornam-se eternos no coração e na fé do povo. “Saravá! Axé! A Vila vai passar!”, anuncia a escola, reforçando que essa é uma homenagem de reconhecimento, orgulho e luz.

Botafogo Samba Clube anuncia enredo de 2027: Basta! Você vai se arrepender de levantar a mão pra mim – Um manifesto contra a violência à mulher

A Botafogo Samba Clube divulgou oficialmente seu enredo para o Carnaval de 2027, na Série Ouro: “Basta! Você vai se arrepender de levantar a mão pra mim”. Assinado pela dupla de carnavalescos Raphael Torres e Alexandre Rangel, o tema é apresentado como um verdadeiro grito de alerta, denúncia e defesa dos direitos femininos, levando à avenida uma mensagem forte, necessária e transformadora.
 
A narrativa percorre a história da mulher ao longo dos tempos, traçando um contraste marcante: em civilizações ancestrais, o feminino era reverenciado como símbolo de criação, fertilidade, sabedoria e poder sagrado, ocupando espaço central na vida coletiva. Com o passar dos séculos e a consolidação de estruturas patriarcais, esse lugar foi sendo reduzido, limitado e negado, impondo silenciamento, desigualdade e, em muitos casos, violência física, psicológica e simbólica.
 
O enredo mostra, porém, que essa realidade nunca foi aceita passivamente. Apesar das barreiras, a presença feminina permaneceu essencial para a construção da sociedade, e, por meio de lutas, movimentos e conquistas históricas, as mulheres foram rompendo cadeias, recuperando seu espaço e reafirmando seu protagonismo como agentes de mudança. O título, em forma de frase direta e corajosa, representa o momento de virada: o fim da tolerância com qualquer tipo de agressão e o aviso claro de que o ciclo de violência não terá mais continuidade.
 
O lançamento, realizado na sede do clube em General Severiano, contou com a presença de lideranças, ativistas e personalidades engajadas na causa, como a apresentadora Fernanda Maia, Michele Pin (fundadora do Botafogo Mulher) e a vereadora Joyce Trindade. Para a agremiação, o desfile é uma forma de usar a força do samba para dar visibilidade a uma das maiores questões sociais do nosso tempo, defendendo respeito, igualdade e vida.
 
“É um enredo que não apenas conta uma história, mas que se posiciona. Queremos que, ao passar pela Sapucaí, nossa escola seja a voz de milhões de mulheres que dizem: chega”, destacou a direção de carnaval. Mais do que cores, luzes e alegorias, a Botafogo Samba Clube prepara-se para levar à avenida um ato de cidadania, lembrando que o respeito é direito de todas e que a luta por um mundo seguro e justo é dever de todos.

Mocidade Independente anuncia enredo de 2027: Latinamente Independente – Nosso norte é o Sul em Remanifesto

A Mocidade Independente de Padre Miguel revelou oficialmente seu enredo para o Carnaval de 2027: “Latinamente Independente – Nosso norte é o Sul em Remanifesto”. Com assinatura do carnavalesco Jack Vasconcellos, a agremiação verde e branca leva à Sapucaí uma proposta ousada, vanguardista e cheia de significado, inspirada na famosa obra América Invertida, do artista uruguaio Joaquín Torres García.
 
O ponto de partida é uma ideia simples, mas revolucionária: inverter a lógica geográfica e cultural tradicional, que sempre colocou o Hemisfério Norte como centro e referência do mundo. Para a Mocidade, o nosso Norte é o Sul. O enredo propõe um novo olhar, onde a América Latina assume o protagonismo, valoriza suas próprias raízes, sua arte, sua história e sua identidade, se libertando de visões impostas por heranças coloniais e hegemonias culturais.
 
Mais do que uma reflexão geográfica, a narrativa é um manifesto: uma “revolução latino-americana” carnavalizada, como define o próprio autor. O desfile vai ironizar visões antigas e limitadas, pedir reparações históricas e construir uma perspectiva de futuro onde somos nós que traçamos os nossos caminhos e definimos os nossos valores. “É um tema que faz todo mundo repensar o seu lugar no continente e a potência da nossa cultura”, explica Jack Vasconcellos.
 
Conhecida por ser pioneira e por trazer temas que provocam e fazem pensar, a Mocidade promete transformar a avenida em um grande palco de debate e celebração. Será o primeiro desfile da segunda-feira de Carnaval, abrindo os trabalhos com uma mensagem clara: somos independentes, somos latinos e é do Sul que vem a nossa força, a nossa sabedoria e a nossa direção.
 
Para a escola, esse enredo reforça seu papel histórico de não apenas contar histórias, mas de provocar mudanças de visão, mostrando que a maior riqueza do nosso povo está exatamente naquilo que nos torna únicos e originais.

Viradouro anuncia enredo de 2027: Griô – Guardiões da memória na busca pelo bicampeonato

Atual campeã do Grupo Especial do Rio de Janeiro, a Unidos do Viradouro definiu seu enredo para o Carnaval de 2027: “Griô”. A agremiação de Niterói, que conquistou o título em 2026, prepara-se para defender a liderança e buscar o bicampeonato com um tema profundo, ligado às raízes africanas e à preservação da cultura, assinado pelo carnavalesco Tarcísio Zanon e pelo enredista João Gustavo Melo.
 
A narrativa é uma homenagem e uma reflexão sobre os griôs — figuras fundamentais da história da África Ocidental, especialmente dos impérios do Mali e do Gana. Eles são, ao mesmo tempo, contadores de histórias, mestres da palavra, músicos, sábios e guardiões da memória coletiva. Em sociedades onde a escrita não era o principal meio de registro, eram eles que transmitiam de geração em geração a história dos povos, as leis, os rituais, os mitos e os saberes ancestrais, mantendo viva a identidade de um povo apenas pela força da voz e da oralidade.
 
O enredo traça um caminho que começa nos contos tradicionais, como o mito de Kwaku Ananse, passa pela nobre função dos clãs Djéli, os primeiros griôs, e atravessa o oceano até chegar ao Brasil. A ideia central é mostrar que essa função nunca deixou de existir por aqui: os griôs têm seus herdeiros nos baluartes, nas matriarcas, nos compositores e em todos aqueles que, nas escolas de samba e nas comunidades, mantêm vivas as tradições, contando e cantando a nossa história “de boca a ouvido”.
 
Para a Viradouro, as próprias escolas de samba funcionam como verdadeiros griôs modernos: “A cada ano, bordamos um grande tecido com os fios do passado, uma tecnologia cultural essencialmente negra que espalha o que o Brasil precisa conhecer”, destaca a escola. O desfile promete transformar a avenida em um grande palco da memória, exaltando a potência da palavra, da ancestralidade e de todos aqueles que garantem que o passado nunca seja esquecido e continue a iluminar o futuro.
 
Com esse tema, a Vermelho e Branco reforça sua linha de trabalhos que valorizam a matriz africana e a cultura nacional, levando à Sapucaí uma mensagem forte: cada voz que canta um samba é, na verdade, o eco de um griô que resiste e permanece vivo.

Unidos de Padre Miguel anuncia enredo de 2027: Yèyé Omó Ejá – A Coroação das Rainhas das Águas

A Unidos de Padre Miguel revelou seu enredo para o Carnaval de 2027: “Yèyé Omó Ejá – A Coroação das Rainhas das Águas”, uma homenagem poética e sagrada ao encontro entre duas das mais poderosas e amadas divindades das religiões de matriz africana: Iemanjá e Oxum. A criação é assinada pelos carnavalescos Allan Barbosa e Ricardo Hessez, que levam à Sapucaí um dos mitos mais belos e fundamentais da nossa cultura ancestral.
 
A narrativa gira em torno do momento em que as águas doces dos rios, domínio de Oxum, se encontram e se misturam com as águas salgadas do mar, reino de Iemanjá. Mais do que uma cena da natureza, esse encontro carrega um simbolismo profundo: representa a união de forças complementares, a origem da vida, a fertilidade e a potência feminina em sua forma mais pura e soberana. Iemanjá surge como a matriarca, a imensidão, a liberdade e a proteção, enquanto Oxum é a beleza, a sensibilidade, o amor e a doçura que abraça e transforma tudo o que toca.
 
O título, de origem iorubá, traduz a essência dessa ligação: “Yèyé Omó Ejá” remete à ideia de mãe, rainha e à conexão com o universo aquático. O desfile vai explorar como essas entidades são vistas não apenas como forças da natureza, mas como rainhas que coroam a si mesmas e a todo o povo que as reverencia, guiando caminhos, abençoando vidas e mantendo viva a espiritualidade que corre nas veias do povo brasileiro.
 
Para a escola, essa história é uma forma de exaltar a cultura afro-brasileira, a força das mulheres e a sabedoria dos ancestrais, mostrando como o samba e a fé caminham juntos, celebrando o que é essencial, belo e eterno. Será uma avenida banhada por cores, símbolos e devoção, onde cada ala vai representar um pedaço desse universo de águas, mistério e amor.

Porto da Pedra anuncia enredo de 2027: Porto Kalunga – A viagem que uniu Brasil e África pela arte

A Unidos do Porto da Pedra divulgou oficialmente seu enredo para o Carnaval de 2027: “Porto Kalunga”. Assinada pelos carnavalescos Caio Cidrini e Alex Carvalho, com texto de Thaina Santos e Bia Chaves, a história leva à Sapucaí um dos capítulos mais ricos e menos conhecidos da nossa cultura: a missão artística brasileira que desembarcou em Angola no final da década de 1970, poucos anos após a independência do país africano.
 
A convite do governo angolano, mais de 60 grandes nomes da música popular brasileira — entre eles Martinho da Vila, Clara Nunes, Chico Buarque, Dona Ivone Lara, Djavan, João Nogueira e Dorival Caymmi — participaram de uma imersão cultural histórica. O encontro foi muito mais do que uma turnê: foi um reencontro com as raízes, onde artistas puderam conhecer de perto a terra de onde vieram os antepassados, trocar saberes, dividir palcos e criar obras que se tornaram clássicos, como Morena de Angola, imortalizada por Clara Nunes.
 
O termo Kalunga tem um significado profundo: nas tradições de matriz africana, remete ao mar, ao mundo dos ancestrais e à ligação entre os dois lados do Atlântico. O enredo explora exatamente essa travessia — não apenas geográfica, mas espiritual e cultural — mostrando como essa viagem reforçou laços históricos, aprofundou a identidade da nossa música e deixou marcas eternas na obra de cada artista que esteve lá.
 
Para a escola de São Gonçalo, o desfile é uma forma de resgatar essa memória e celebrar o que há de mais potente na cultura: a capacidade de se reconhecer no outro e de transformar encontros em legado. “É uma história de memória, de reconhecimento e de uma travessia que mudou para sempre a MPB e a nossa relação com a África”, resumiu Caio Cidrini.
 
Ao contar essa passagem, a Porto da Pedra reafirma seu compromisso de trazer temas que conectam o povo brasileiro às suas origens, mostrando que o samba e a arte são pontes que o tempo e a distância jamais conseguem apagar.

Em Cima da Hora anuncia enredo de 2027: Luzia Pinta – Ancestralidade, fé e resistência na Sapucaí

A Em Cima da Hora divulgou oficialmente seu enredo para o Carnaval de 2027, com uma homenagem potente e cheia de significado: “Luzia Pinta”. A agremiação leva à avenida a trajetória dessa liderança fundamental da cultura popular, benzedeira e guardiã de saberes ancestrais que fez de sua vida uma missão de preservação das tradições na região de Campo Grande, zona oeste do Rio de Janeiro.
 
Luzia Pinta representa muito mais do que uma figura folclórica: ela é símbolo da força feminina negra, da ligação profunda com a espiritualidade e da resistência de um povo que, ao longo de gerações, manteve vivos costumes, rezas, curas e conhecimentos passados de mãe para filha. Sua atuação foi essencial para manter acesa a chama da cultura afro-brasileira em um território onde essas manifestações muitas vezes corriam risco de ser esquecidas.
 
O enredo explora todo esse universo: a relação dela com a natureza, os rituais de benzeção, a sabedoria popular e o papel central que mulheres como ela tiveram e ainda têm na construção da identidade nacional. A narrativa mostra como seu legado atravessa o tempo, servindo de exemplo e referência para comunidades inteiras, e como esses saberes são parte essencial da história que o Brasil precisa conhecer e valorizar.
 
Para a Em Cima da Hora, levar Luzia Pinta à Sapucaí é um ato de justiça cultural. A escola reafirma sua vocação de dar visibilidade a personagens que são a base da nossa sociedade, mas que raramente ganham espaço nos registros oficiais. O desfile promete ser uma grande celebração da ancestralidade, da memória e da força que transforma saberes antigos em vida nova a cada dia.

Estácio de Sá anuncia enredo de 2027: Centenário do Berço do Samba – Onde o Samba Virou Escola e o Brasil se Fez Carnaval

A Estácio de Sá, reconhecida como a primeira escola de samba do Brasil, divulgou oficialmente seu enredo para o Carnaval de 2027: “Centenário do Berço do Samba: Onde o Samba Virou Escola e o Brasil se Fez Carnaval”. A agremiação presta uma homenagem histórica ao próprio nascimento das escolas de samba, resgatando sua origem direta na lendária Deixa Falar, considerada a matriz de todas as agremiações que vieram depois.
 
A narrativa criada para a Sapucaí propõe uma viagem poética e imaginativa: em uma espécie de dimensão especial, a famosa Turma do Estácio, grupo que deu vida e alma à escola nos primeiros tempos, se reúne novamente. Nesse espaço onde o tempo não tem fim, o passado conversa com o presente, contando passo a passo como o samba deixou de ser apenas uma manifestação de rua para se transformar em escola, em espetáculo e, finalmente, na maior expressão cultural do país.
 
Mais do que contar a história de uma só agremiação, o enredo percorre a trajetória do bairro do Estácio e de todo o movimento que ali começou e se espalhou pelo Rio e pelo Brasil. O desfile mostrará como, naquele território, se desenhou o modelo que hoje conhecemos, e como cada detalhe, cada personagem e cada decisão daqueles pioneiros ajudou a construir o que chamamos de Carnaval.
 
Para a agremiação, esse tema é um ato de justiça histórica e de orgulho: ao celebrar o centenário desse marco fundamental, a Estácio reforça seu papel de guardiã da memória e de berço onde tudo começou, levando à avenida a mensagem de que, ali, o samba ganhou forma, estrutura e se tornou patrimônio de todo um povo.

União da Ilha anuncia enredo de 2027: Getúlio Marinho, o “Amor” – A raiz do samba na Sapucaí

A União da Ilha do Governador definiu seu projeto para o Carnaval de 2027 e vai levar à Marquês de Sapucaí uma homenagem a uma das figuras mais importantes, mas pouco lembradas, da formação da nossa cultura: Getúlio Marinho, carinhosamente chamado de “Amor”. O enredo, assinado pelo carnavalesco Guilherme Estevão, tem como objetivo devolver a esse personagem o lugar de destaque que merece na história do samba e da identidade carioca.
 
Conhecido como um dos pilares da origem do samba, Getúlio Marinho foi peça-chave na estruturação e na disseminação desse ritmo que se tornou símbolo do Brasil. Apesar de sua importância fundamental para a construção da nossa música e das nossas tradições, seu nome e sua trajetória acabaram ficando à margem dos registros oficiais – e é essa dívida com a memória popular que a Ilha vem agora pagar.
 
O desfile reforça exatamente as marcas que tornaram a escola única: a musicalidade forte, a essência da cidade do Rio de Janeiro, a ligação profunda com as raízes afro-brasileiras e aquele toque de irreverência que é a cara da agremiação. A narrativa vai percorrer a vida, a obra e o legado de “Amor”, mostrando como suas ideias, sua prática e sua presença ajudaram a moldar o samba tal como o conhecemos hoje, muito antes de ele ganhar as avenidas e os palcos do mundo.
 
Para a União da Ilha, essa escolha representa mais do que um tema: é uma forma de olhar para as origens, valorizar quem fez a história acontecer e reafirmar seu compromisso com a verdadeira essência do carnaval, contando histórias que merecem ser ouvidas, vistas e eternizadas.

Imperatriz Leopoldinense anuncia enredo de 2027: A Memória do Rei e o Sumiço de Dona Júlia – Mistério e ancestralidade na Sapucaí

A Imperatriz Leopoldinense divulgou oficialmente seu enredo para o Carnaval de 2027: “A Memória do Rei e o Sumiço de Dona Júlia”. Assinada pelo carnavalesco Leandro Vieira, a narrativa promete levar à avenida uma história envolvente, baseada em fatos reais, que mistura mistério, cultura popular, religiosidade e a força das tradições do povo brasileiro.
 
O centro da trama é o desaparecimento de uma calunga — boneca sagrada e símbolo fundamental dos maracatus de nação, no Nordeste — conhecida como Dona Júlia. Essa peça carregada de simbolismo e ancestralidade ficou sumida por cerca de três décadas, carregando consigo, no imaginário popular, parte da memória e da energia do culto e da cultura a que pertence. O enredo explora essa perda, o vazio que ela deixou e o significado desses objetos que são tratados não apenas como artefatos, mas como guardiões de histórias, de vidas e da conexão com os ancestrais.
 
Leandro Vieira, conhecido por suas pesquisas profundas e narrativas ricas em detalhes e emoção, constrói um desfile que vai além do mistério do desaparecimento: ele reflete sobre como a cultura se mantém, como ela se manifesta através de símbolos e como cada elemento tradicional carrega uma “alma” coletiva. A história também faz referência à figura do “Rei”, ligando a preservação da memória à liderança e à manutenção dessas raízes ao longo do tempo.
 
Para a escola de Ramos, o desfile de 2027 reforça sua marca de trazer temas que valorizam a diversidade cultural do Brasil, dando visibilidade a manifestações como o maracatu e ao universo simbólico das religiões de matriz africana. Mais do que uma investigação sobre um sumiço, o enredo é uma homenagem ao poder da memória e à crença de que nada realmente desaparece quando é mantido vivo no coração e na fé de um povo.

Portela anuncia enredo de 2027: “Ao mestre, com carinho” – Homenagem a Monarco, um dos maiores ícones do samba

A Portela revelou oficialmente, durante a comemoração dos seus 103 anos de história, o enredo que levará à Marquês de Sapucaí no Carnaval de 2027: “Ao mestre, com carinho”. A agremiação azul e branca prestá uma das maiores honrarias possíveis ao transformar em tema de desfile a trajetória, a obra e o legado de Monarco, cantor, compositor, baluarte e uma das figuras mais importantes não apenas da escola, mas de toda a música popular brasileira.
 
Nascido Hildemar Diniz (1933–2021), criado no bairro de Oswaldo Cruz, integrou a Ala de Compositores da Portela desde 1950 e construiu uma obra que se confunde com a própria identidade da agremiação. Suas canções, como Lenço, Passado de Glória, Coração em Desalinho e Portela Desde Criança, atravessaram gerações e foram imortalizadas nas vozes de grandes nomes como Paulinho da Viola, Beth Carvalho, Zeca Pagodinho, João Nogueira e muitos outros.
 
O enredo é assinado pelo carnavalesco Paulo Barros, que conta com a parceria de Isabel Azevedo e Simone Martins na pesquisa e desenvolvimento. Segundo o autor, a proposta é mostrar a dimensão de um homem que ajudou a escrever a história do samba: “Estamos falando de um mestre que moldou a memória musical da Portela e do Brasil, com obras que nunca saem de moda”, destacou. O anúncio foi marcado por uma grande festa, com a presença de artistas amigos do mestre, além de Dona Olinda, viúva de Monarco, que emocionou-se ao declarar: “É a escola devolvendo em carinho tudo o que ele deu a vida inteira”.
 
Além do enredo, a Portela apresentou uma renovação em sua equipe para 2027. Um dos destaques é o retorno de Bruno Ribas como intérprete oficial, 21 anos após sua última passagem. Outras mudanças incluem novas formações na direção de Carnaval, de harmonia e na comissão de frente, enquanto nomes como o casal de mestre-sala e porta-bandeira e Mestre Vitinho permanecem como referências.
 
Para a Majestade do Samba, essa homenagem é mais do que um desfile: é um ato de gratidão a quem dedicou a vida a cantar a escola, tornando-se, nas palavras do presidente Júnior Escafura, “talvez o maior portelense de todos os tempos”.

Unidos da Tijuca anuncia enredo de 2027: A Cabeça do Santo – Literatura, fé e cultura nordestina na Sapucaí

A Unidos da Tijuca divulgou oficialmente seu enredo para o Carnaval de 2027: “A Cabeça do Santo”. Mantendo a parceria de sucesso com a literatura brasileira — que no ano anterior rendeu um desfile consagrado sobre Carolina Maria de Jesus —, a escola traz agora para a avenida a obra da escritora cearense Socorro Acioli, publicada em 2014 e baseada em fatos reais.
 
A história se passa na cidade de Caridade, no sertão do Ceará, onde uma estátua de Santo Antônio ficou inacabada, sem sua cabeça, que acabou abandonada pelas ruas do município. O inusitado episódio deu origem a lendas, crenças, rezas e uma cultura popular riquíssima, transformando o fato em um marco cultural e turístico da região. O enredo, assinado pelo carnavalesco Lucas Milato com desenvolvimento de Thayssa Menezes e Leandro Thomaz, percorre esse universo mágico, misturando fé católica, misticismo, as tradições das festas juninas e as vozes das mulheres que fazem da devoção motivo de celebração e esperança.
 
A narrativa também acompanha a jornada do personagem Samuel, unindo elementos do imaginário popular, simpatias e pedidos de casamento — marca registrada da devoção a Santo Antônio — em uma trama descrita pelos criadores como onírica, lúdica e cheia de fantasia. Para a agremiação, levar essa história à Sapucaí é mais uma forma de valorizar autores e obras que contam a identidade do Brasil, aproximando o público das diferentes culturas que formam o nosso país.
 
A autora Socorro Acioli demonstrou grande emoção com a iniciativa: “Ver o carnaval e a literatura juntos para o povo, para o Brasil e o mundo inteiro é a minha maior alegria”, declarou. A escola já prepara parcerias com a prefeitura de Caridade e com a autora para garantir uma representação fiel e rica desse universo, prometendo um desfile que reacende o brilho de suas grandes apresentações e reforça o orgulho da comunidade tijucana.

Beija-Flor anuncia enredo de 2027: Zeneida, o sopro do pó de louro – Homenagem à última pajé do Marajó

A Beija-Flor de Nilópolis divulgou oficialmente seu enredo para o Carnaval de 2027: “Zeneida: O Sopro do Pó de Louro”. Após o vice-campeonato em 2026, a escola azul e branca levará à Marquês de Sapucaí uma história de força, sabedoria e preservação, dedicada a uma das maiores referências da cultura paraense: Zeneida Lima, reconhecida como a última pajé marajoara.
 
A narrativa percorre a trajetória dessa liderança fundamental do arquipélago do Marajó, no Pará, que carrega consigo conhecimentos ancestrais passados por gerações. Mais do que guardiã de rituais, curas e tradições, Zeneida também se destaca nacionalmente como uma importante ativista ambiental, que luta diariamente para proteger a floresta, os rios e o modo de vida do povo da região.
 
O título faz referência ao elemento simbólico de sua prática: o pó de louro, usado em rituais que conectam o mundo material e o espiritual, levados ao vento como um sopro que leva mensagens, cura e proteção. O enredo da Beija-Flor promete mostrar ao Brasil todo a riqueza dessa cultura, a relação profunda do ser humano com a natureza e a importância de manter vivos saberes que formam a identidade da Amazônia.
 
Com esse desfile, a agremiação mais uma vez cumpre seu papel de levar à avenida personagens e histórias que representam a diversidade brasileira, dando visibilidade a quem dedica a vida a cuidar da terra e de sua gente.

Vila Isabel anuncia enredo de 2027: Torto Arado leva à Sapucaí a luta quilombola e a religião do Jarê

A Unidos de Vila Isabel divulgou oficialmente seu enredo para o Carnaval de 2027: “Torto arado – sobre a terra há de viver sempre o mais forte”. A escola branca e azul trará para a avenida uma adaptação do premiado romance homônimo de Itamar Vieira Junior, um dos maiores sucessos da literatura brasileira recente, que já vendeu mais de 1 milhão de exemplares e ganhou prêmios como o LeYa, o Jabuti e o Oceanos.
 
A narrativa, assinada pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora, com pesquisa de Vinícius Natal, transportará para a Marquês de Sapucaí o universo da Chapada Diamantina, no sertão da Bahia. O enredo explora a luta das comunidades quilombolas pela posse da terra, a força das personagens femininas como alicerce dessas famílias e a permanência das marcas da escravidão nas relações de trabalho e sociedade.
 
Um dos pontos mais aguardados e inéditos do desfile é a apresentação do Jarê, religião de matriz africana típica daquela região, que nunca antes foi retratada em um desfile de escola de samba. Por meio dessa visão encantada e espiritual, a história mostra como o povo se conecta com os ancestrais, com a natureza e com a memória, transformando sofrimento em resistência e sobrevivência ao longo das gerações.
 
Para a Vila Isabel, o enredo é mais do que uma adaptação literária: é uma forma de dar voz e visibilidade a histórias de resistência que formam o Brasil profundo, destacando que a luta pela terra e por reconhecimento continua viva até hoje.

Mangueira anuncia enredo de 2027: “É Oyá por nós!” – Uma homenagem à força, transformação e ancestralidade

A Estação Primeira de Mangueira divulgou oficialmente seu enredo para o Carnaval de 2027: “É Oyá por nós!”. A agremiação, conhecida por sua forte ligação com as raízes e a cultura afro-brasileira, prepara um desfile que celebra a grandiosidade de Oyá – ou Iansã, como também é chamada –, a orixá dos ventos, das tempestades, das transformações e dos ciclos da vida, figura central nas religiões de matriz africana e na formação da identidade do povo brasileiro.
 
Com criação e pesquisa de Sidnei França, Sthefanye Paz e Felipe Tinoco, a narrativa percorre desde a origem da divindade no continente africano, associada ao Rio Níger – também chamado de Odo Oyá – até a sua presença e influência no Brasil. O enredo explora os muitos símbolos e faces dessa entidade poderosa: ela é ao mesmo tempo a guerreira imponente que carrega consigo a força dos búfalos e a leveza de uma borboleta; aquela que corta e abre caminhos, que limpa o caminho com vendavais e que governa a passagem entre o mundo dos vivos e dos ancestrais.
 
A história também destaca suas relações sagradas, como o amor e a parceria com Xangô, rei de Oyó, e sua atuação como senhora dos nove céus, guardiã dos destinos e dos segredos da existência. São abordados ainda os rituais, os alimentos sagrados, os instrumentos e as danças que a ela são dedicados dentro dos terreiros, mostrando como sua energia se manifesta em cada detalhe da cultura religiosa.
 
Mais do que uma homenagem mitológica, o enredo traça um paralelo potente: Oyá representa a capacidade de se reinventar, de resistir e de transformar a realidade – características que marcam também a trajetória do povo negro e, especialmente, a força feminina que sustenta, organiza e perpetua essas tradições. Para a Mangueira, ser herdeira desse legado é assumir o papel de levar essa mensagem à avenida, transformando a Marquês de Sapucaí em um imenso e sagrado espaço de devoção.
 
A escola reforça em sua sinopse uma frase que já se tornou marca da sua identidade e que ganha novo sentido agora: “Quando Oyá passa, nada fica no lugar. Depois que a Mangueira desfila, nada permanece igual”. O desfile de 2027 promete ser, portanto, uma grande celebração da vida, da mudança e da potência ancestral, reafirmando o compromisso da Verde e Rosa em contar histórias que fortalecem a memória, a fé e a cultura do nosso país.

Paraíso do Tuiuti anuncia enredo de 2027: Tia Ciata, a Mãe Preta do Samba, é homenageada na Sapucaí

A escola de samba Paraíso do Tuiuti divulgou oficialmente seu enredo para o Carnaval de 2027: “Ciata: A Mãe Preta do Samba”. Com assinatura do carnavalesco Renato Lage, a agremiação promete levar à Marquês de Sapucaí um desfile que resgata, valoriza e reinterpreta a trajetória de uma das figuras mais importantes da cultura brasileira, quase apagada dos livros de história oficial.
 
O eixo central da narrativa é Hilária Batista de Almeida, conhecida como Tia Ciata, mulher negra, matriarca, líder religiosa e uma das principais responsáveis pela estruturação do samba no Rio de Janeiro. O título traz um significado especial: se na época da escravidão a expressão “mãe preta” era ligada à exploração e ao trabalho compulsório, a Tuiuti propõe uma nova leitura. Aqui, o termo ganha sentido de soberania, liberdade, sabedoria e resistência, reconhecendo-a como protagonista que comandou seu próprio destino e foi alicerce para toda uma cultura.
 
A sinopse apresentada pela escola percorre o dia a dia de Tia Ciata, desde sua casa, no número 117 da Rua Visconde de Itaúna, na Praça Onze — endereço que se tornou ponto de encontro de sambistas, religiosos, artistas e intelectuais — até suas atividades como vendedora de doces nas ruas do Centro do Rio. A narrativa também contextualiza a vida da personagem em um período de grandes reformas urbanas, quando o poder público tentava transformar a cidade em uma “Paris Tropical”, apagando as tradições e a presença da população negra e pobre do cenário carioca.
 
O enredo destaca ainda sua participação fundamental na criação de Pelo Telefone, considerado o primeiro samba gravado no Brasil, sua liderança no candomblé como yaquequerê do terreiro de João Alabá e sua forte ligação com o carnaval — ela herdou o Rancho Rosa Branca e foi berço do bloco O Macaco é Outro. A história mostra como, diante da repressão e da tentativa de invisibilização, o povo se uniu, ocupou espaços e construiu formas coletivas de viver e resistir, fazendo da cultura negra a espinha dorsal da identidade carioca.
 
No desfile, a proposta é transformar a avenida em um grande terreiro, onde cada passo de samba será uma homenagem à ancestralidade e à liderança feminina de Tia Ciata. Para a agremiação, essa é mais uma missão cumprida: trazer à luz personagens e fatos que formaram o Brasil, mas que por muito tempo ficaram à margem da história oficial, eternizando-os no maior espetáculo da Terra.
 
A pesquisa e o texto que dão base ao enredo são de Claudio Russo e Luiz Antonio Simas, com consultoria da equipe da Casa da Tia Ciata, garantindo precisão histórica e respeito à memória dessa grande figura. Com isso, a Paraíso do Tuiuti prepara-se para mais uma apresentação que alia beleza, arte e consciência, reafirmando seu papel de escola que questiona, ensina e emociona.

Carnaval 2027: Confira a ordem oficial dos desfiles do Grupo Especial e da Série Ouro na Sapucaí

O Carnaval carioca já conhece a ordem dos desfiles para 2027. A definição das apresentações do Grupo Especial e da Série Ouro começa a desenhar os caminhos da disputa na Marquês de Sapucaí.

No Grupo Especial, os desfiles acontecerão entre os dias 7 e 9 de fevereiro, marcando a 95ª edição do Rio Carnaval. A abertura do domingo ficará por conta da União de Maricá, seguida por Beija-Flor, Paraíso do Tuiuti e Vila Isabel.

Na segunda-feira, a Unidos da Tijuca abre os trabalhos da noite, seguida por Mocidade Independente de Padre Miguel, Salgueiro e Imperatriz Leopoldinense.

Já a terça-feira promete fortes emoções com Portela abrindo a noite, seguida por Viradouro, Acadêmicos do Grande Rio e encerramento da Estação Primeira de Mangueira.


A Série Ouro também teve sua ordem oficializada para os desfiles dos dias 5 e 6 de fevereiro. A sexta-feira será aberta pela São Clemente, uma das novidades do grupo para 2027, seguida por Unidos do Jacarezinho, Unidos do Porto da Pedra, Vigário Geral, Acadêmicos de Niterói, União da Ilha, Unidos da Ponte e Unidos de Bangu.

No sábado, a abertura ficará com a Santa Cruz. Depois desfilam Inocentes de Belford Roxo, Estácio de Sá, Unidos de Padre Miguel, Arranco, Império Serrano, Em Cima da Hora, Botafogo Samba Clube e Unidos do Parque Acari.

A composição da Série Ouro deste ano ganhou destaque após a ampliação do grupo e o retorno de escolas tradicionais como São Clemente e Inocentes de Belford Roxo, além da permanência da Unidos do Jacarezinho.


Com a ordem definida, as escolas agora aceleram os preparativos rumo ao Carnaval 2027, que promete unir tradição, rivalidade e grandes expectativas na Sapucaí.

Carnaval 2027: Ligas anunciam expansão dos grupos e novas escolas nas Séries Ouro, Prata e Bronze

A reorganização dos grupos de acesso do Carnaval carioca para 2027 ganhou forma. Em decisões tomadas após reunião com o prefeito do Rio, Eduardo Cavalieri, as entidades responsáveis pelos desfiles da Série Ouro e da Intendente Magalhães anunciaram mudanças importantes na composição de seus grupos, ampliando o número de escolas convidadas e reforçando o discurso de valorização das agremiações.

A LIGA RJ, representante das escolas da Série Ouro, em nota oficial, informou que, seguindo orientação expressa do prefeito, cada grupo deveria convidar mais três agremiações para recompor o campeonato. A medida, segundo a Liga, foi aprovada em plenária pelas escolas e busca fortalecer o Carnaval e garantir maior equilíbrio na competição.

Entre as decisões aprovadas está a permanência da Unidos do Jacarezinho na Série Ouro. A escola enfrentou um ano dramático após sofrer dois incêndios durante o ciclo do Carnaval 2026, um no barracão e outro na quadra, comprometendo diretamente sua preparação. As agremiações entenderam, de forma unânime, que a manutenção da escola no grupo representava um gesto de solidariedade e respeito à comunidade.

Além disso, a plenária aprovou os convites para a entrada da Inocentes de Belford Roxo e da São Clemente na Série Ouro. Segundo a entidade, a decisão leva em consideração a relevância histórica das duas escolas no cenário carnavalesco carioca.

Na Intendente Magalhães, a Superliga Carnavalesca do Brasil também confirmou mudanças importantes. A entidade anunciou o acesso de três escolas para cada grupo, seguindo a mesma orientação debatida com o prefeito.

Com isso, Rosa de Ouro, Unidos de Cosmos e Boi da Ilha do Governador foram convidadas para integrar a Série Prata. Já Acadêmicos de Madureira, Arame de Ricardo e Coroado de Jacarepaguá passam a compor a Série Bronze.

Em nota, a Superliga destacou que todas as decisões foram tomadas “em total consonância com as orientações do Poder Executivo Municipal”, reforçando o compromisso da entidade com a organização dos desfiles e o fortalecimento do Carnaval popular.

As decisões anunciadas pelas duas ligas indicam um novo cenário para os grupos de acesso do Carnaval carioca, ampliando a participação de escolas tradicionais e fortalecendo o discurso de união entre as agremiações em um momento de reorganização política e estrutural da festa.