A Portela revelou oficialmente, durante a comemoração dos seus 103 anos de história, o enredo que levará à Marquês de Sapucaí no Carnaval de 2027: “Ao mestre, com carinho”. A agremiação azul e branca prestá uma das maiores honrarias possíveis ao transformar em tema de desfile a trajetória, a obra e o legado de Monarco, cantor, compositor, baluarte e uma das figuras mais importantes não apenas da escola, mas de toda a música popular brasileira.
Nascido Hildemar Diniz (1933–2021), criado no bairro de Oswaldo Cruz, integrou a Ala de Compositores da Portela desde 1950 e construiu uma obra que se confunde com a própria identidade da agremiação. Suas canções, como Lenço, Passado de Glória, Coração em Desalinho e Portela Desde Criança, atravessaram gerações e foram imortalizadas nas vozes de grandes nomes como Paulinho da Viola, Beth Carvalho, Zeca Pagodinho, João Nogueira e muitos outros.
O enredo é assinado pelo carnavalesco Paulo Barros, que conta com a parceria de Isabel Azevedo e Simone Martins na pesquisa e desenvolvimento. Segundo o autor, a proposta é mostrar a dimensão de um homem que ajudou a escrever a história do samba: “Estamos falando de um mestre que moldou a memória musical da Portela e do Brasil, com obras que nunca saem de moda”, destacou. O anúncio foi marcado por uma grande festa, com a presença de artistas amigos do mestre, além de Dona Olinda, viúva de Monarco, que emocionou-se ao declarar: “É a escola devolvendo em carinho tudo o que ele deu a vida inteira”.
Além do enredo, a Portela apresentou uma renovação em sua equipe para 2027. Um dos destaques é o retorno de Bruno Ribas como intérprete oficial, 21 anos após sua última passagem. Outras mudanças incluem novas formações na direção de Carnaval, de harmonia e na comissão de frente, enquanto nomes como o casal de mestre-sala e porta-bandeira e Mestre Vitinho permanecem como referências.
Para a Majestade do Samba, essa homenagem é mais do que um desfile: é um ato de gratidão a quem dedicou a vida a cantar a escola, tornando-se, nas palavras do presidente Júnior Escafura, “talvez o maior portelense de todos os tempos”.