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Viradouro anuncia enredo de 2027: Griô – Guardiões da memória na busca pelo bicampeonato

Atual campeã do Grupo Especial do Rio de Janeiro, a Unidos do Viradouro definiu seu enredo para o Carnaval de 2027: “Griô”. A agremiação de Niterói, que conquistou o título em 2026, prepara-se para defender a liderança e buscar o bicampeonato com um tema profundo, ligado às raízes africanas e à preservação da cultura, assinado pelo carnavalesco Tarcísio Zanon e pelo enredista João Gustavo Melo.
 
A narrativa é uma homenagem e uma reflexão sobre os griôs — figuras fundamentais da história da África Ocidental, especialmente dos impérios do Mali e do Gana. Eles são, ao mesmo tempo, contadores de histórias, mestres da palavra, músicos, sábios e guardiões da memória coletiva. Em sociedades onde a escrita não era o principal meio de registro, eram eles que transmitiam de geração em geração a história dos povos, as leis, os rituais, os mitos e os saberes ancestrais, mantendo viva a identidade de um povo apenas pela força da voz e da oralidade.
 
O enredo traça um caminho que começa nos contos tradicionais, como o mito de Kwaku Ananse, passa pela nobre função dos clãs Djéli, os primeiros griôs, e atravessa o oceano até chegar ao Brasil. A ideia central é mostrar que essa função nunca deixou de existir por aqui: os griôs têm seus herdeiros nos baluartes, nas matriarcas, nos compositores e em todos aqueles que, nas escolas de samba e nas comunidades, mantêm vivas as tradições, contando e cantando a nossa história “de boca a ouvido”.
 
Para a Viradouro, as próprias escolas de samba funcionam como verdadeiros griôs modernos: “A cada ano, bordamos um grande tecido com os fios do passado, uma tecnologia cultural essencialmente negra que espalha o que o Brasil precisa conhecer”, destaca a escola. O desfile promete transformar a avenida em um grande palco da memória, exaltando a potência da palavra, da ancestralidade e de todos aqueles que garantem que o passado nunca seja esquecido e continue a iluminar o futuro.
 
Com esse tema, a Vermelho e Branco reforça sua linha de trabalhos que valorizam a matriz africana e a cultura nacional, levando à Sapucaí uma mensagem forte: cada voz que canta um samba é, na verdade, o eco de um griô que resiste e permanece vivo.