A Império da Tijuca revelou oficialmente seu enredo para o Carnaval de 2027, um tema profundamente ligado à identidade da escola e às origens da cultura nacional: “Anastácia”. A agremiação prepara um desfile carregado de ancestralidade, homenageando uma das figuras mais simbólicas e reverenciadas da história e da espiritualidade afro-brasileira, mulher que se tornou ícone de luta, dignidade e resistência contra a opressão.
A narrativa levará à avenida a trajetória que mistura realidade e lenda: Anastácia teria sido uma mulher africana, de beleza marcante e força espiritual imensa, escravizada em terras brasileiras. Sua história ficou gravada na memória do povo especialmente por um detalhe cruel: a punição imposta por seus senhores, que a obrigaram a usar uma máscara de ferro, ferramenta de tortura que tentou calar sua voz e apagar sua presença. Longe de diminuí-la, porém, essa imagem tornou-se o símbolo máximo da sua grandeza: mesmo diante da violência e da desumanidade, ela manteve sua fé, sua compaixão e sua dignidade intactas.
Reverenciada como protetora e associada a curas e milagres, Anastácia representa muito mais do que uma personagem do passado: ela é a personificação da resistência de todo um povo que, mesmo sob condições extremas, preservou suas raízes, sua sabedoria e sua cultura. Para a Império da Tijuca, contar essa história é um ato de justiça e de reconhecimento, pois o tema dialoga diretamente com a essência da escola e com os antepassados que formaram a alma do Brasil.
“É um enredo minuciosamente pensado, onde a força ancestral tem total ligação com as raízes da nossa escola”, destaca a agremiação. O desfile promete ser uma celebração emocionante da memória, da espiritualidade e da força que nunca se deixou vencer — uma forma de lembrar, com orgulho, que a voz de Anastácia, e de todos os que sofreram como ela, jamais foi realmente silenciada.