A Imperatriz Leopoldinense divulgou oficialmente seu enredo para o Carnaval de 2027: “A Memória do Rei e o Sumiço de Dona Júlia”. Assinada pelo carnavalesco Leandro Vieira, a narrativa promete levar à avenida uma história envolvente, baseada em fatos reais, que mistura mistério, cultura popular, religiosidade e a força das tradições do povo brasileiro.
O centro da trama é o desaparecimento de uma calunga — boneca sagrada e símbolo fundamental dos maracatus de nação, no Nordeste — conhecida como Dona Júlia. Essa peça carregada de simbolismo e ancestralidade ficou sumida por cerca de três décadas, carregando consigo, no imaginário popular, parte da memória e da energia do culto e da cultura a que pertence. O enredo explora essa perda, o vazio que ela deixou e o significado desses objetos que são tratados não apenas como artefatos, mas como guardiões de histórias, de vidas e da conexão com os ancestrais.
Leandro Vieira, conhecido por suas pesquisas profundas e narrativas ricas em detalhes e emoção, constrói um desfile que vai além do mistério do desaparecimento: ele reflete sobre como a cultura se mantém, como ela se manifesta através de símbolos e como cada elemento tradicional carrega uma “alma” coletiva. A história também faz referência à figura do “Rei”, ligando a preservação da memória à liderança e à manutenção dessas raízes ao longo do tempo.
Para a escola de Ramos, o desfile de 2027 reforça sua marca de trazer temas que valorizam a diversidade cultural do Brasil, dando visibilidade a manifestações como o maracatu e ao universo simbólico das religiões de matriz africana. Mais do que uma investigação sobre um sumiço, o enredo é uma homenagem ao poder da memória e à crença de que nada realmente desaparece quando é mantido vivo no coração e na fé de um povo.